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Sobretudo: Viagens e Miragens Poéticas


Olfato
ROGERIO SANTOS

O bom perfume
Acende a chama,
Espalha o lume.


Escrito por Rogerio Santos às 06h47
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Na Tangente (O tapete do poeta)
ROGERIO SANTOS

Lá pelas bandas de Minas
No meio dos mares-de-morros
Dizem que mora um caboclo
Que fez um tapete que voa.

Não tenho cara de besta
Tenho o ouvido calejado
E fui conferir ligeiro
O dono desse legado

Já sabia onde era Minas
Por famoso doce e queijo
Pelas obras mais diversas
Por contos de sertanejos

E pelas belas mulheres
Que abundam pelas ruas
Dizem que são mais de dez
Pra cada homem que atua

Famoso na região
Ouvi dizer que esse tal
Tinha por Patrocínio
A sua terra natal

Mas será o Benedito?
Fazer tapete que voa...
De fato não acredito
Mas tinha ouvido uma loa

E mineiro tem um ritmo
Que segue curso de rio
E rio só é verdadeiro
É água dançando no cio

Quando o nativo proseia
É forte como cachoeira
Mas se fala brando e lento
Vê de longe a cabeceira

É soneca e pasmaceira
Depois de uma cachacinha
É viola e tamborzada
Na festa da padroeira

E falando em padroeira
Procurei por Patrocínio
E achei coisa engraçada
Que nem cabaço de freira

O mapa das terras mineiras
Parece uma velha máscara
Uma cabeça de bruxa
Num carnaval de Veneza

E Patrocínio onde fica?
Bem lá dentro do nariz
Por onde chega esse ar
Que traga toda beleza

Eu gostei logo de cara
Dos pés de jabuticaba
Das ladeiras e botecos
Um quintal que não se acaba

Perguntei pela cidade
Pra toda gente que vi
Se ainda morava ali
O dono da habilidade

E toda gente dizia:
- Amigo, ele aqui vivia
Até que num dia calmo
Partiu com o seu tapete

Procurei pela família
Até chegar num portão
Era o lar de Dona Diva
A oficina do artesão

Foi lá que fiquei sabendo
Da história do menino
Que desde muito bem cedo
Lidou com tecido fino

Trabalhou no seu projeto
Com astúcia de arquiteto
Costurando ponto a ponto
O requintado tapete

A linha era de palavras
O tear de folha branca
A tinta de madrugadas
Lembranças de sua gente

Num dia de revoada
Partiu com a passarada
Foi poesia pelas nuvens
Ganhou mundo – na tangente

( Em homenagem ao poeta mineiro Nathan de Castro )


Escrito por Rogerio Santos às 14h17
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